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Como deixar São Paulo mudou a vida da minha família

Mira Melke
dezembro 06, 2018
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Recentemente meu marido me mostrou um texto de um desenvolvedor de software americano, dono da sua própria Startup de Tecnologia que mudou a sua vida deixando Nova York. Em inglês Leaving NY for Nashville.

Esse ano eu tive duas experiências que me fizeram entender perfeitamente o que o Wes (o desenvolvedor) estava falando em seu texto, primeiro, porque também fizemos (como família) uma grande mudança de cidade e de estilo de vida e porque, em parte, graças a essa mudança, pudemos realizar um sonho e conhecer Nova York. Conto um pouco da nossa experiência e nossas primeiras impressões sobre NY e sobre o EUA no post Primeiras Impressões da Metrópole do Mundo no meu outro blog. 

Mantendo as devidas proporções, São Paulo é como Nova York. Tem tudo que a gente quer, mas a um custo muito alto. E não me refiro somente a dinheiro. São Paulo te cobra, além do dinheiro, o seu tempo e a sua saúde – física e mental. 

Meu marido, assim como o Wes, trabalha com tecnologia. Mas ao contrário do Wes, ele não é o próprio chefe (ainda). Graças à sua formação específica, e ao período de muito aprendizado que passamos em São Paulo, fazendo doutorado e trabalhando em grandes empresas como Itaú e Vivo, as portas se abriram para que ele pudesse liderar uma equipe de Ciência de Dados em uma gigante do ramo sucroalcooleiro, no interior. Mais especificamente em Piracicaba. 

Antes de fazermos a mudança, pesquisamos bastante sobre a cidade: índices de desenvolvimento, educação, saúde, segurança. Fizemos visitas, conversamos com amigos que moravam na cidade e por fim, depois de muito estudo e oração, decidimos que nos mudaríamos para Piracicaba. 

Hoje vocês são mais ricos, morando no Interior? 

Essa pergunta foi feita pelo cara que contratou o Matheus (meu marido) em um churrasco informal na casa dele. 

O Matheus respondeu de pronto que sim. Eu ainda levei um tempo para pensar. Porque considerei primeiro a questão financeira, e não era bem isso que ele estava perguntando. Pensando em retrocesso, acredito que ele usou a palavra correta e a resposta para essa é pergunta é Sim. Sim, hoje somos mais ricos, morando no interior! 

Nossa renda (quantidade de dinheiro que entra) não sofreu nenhuma mudança significativa, mas o padrão/estilo de vida que temos hoje, nós não teríamos condições de ter em uma cidade como São Paulo. 

De bem com a Saúde

Começando pela saúde.  Deixamos uma cidade onde a qualidade do ar varia entre ruim e péssima para a cidade brasileira com maior área verde por habitante. A Luana, nossa filha de quase três anos, teve em São Paulo, duas pneumonias em um ano, aqui só pegou alguns resfriados e uma virose. O clima mais quente e a vivência em ambientes abertos também favoreceram nesse sentido. Em contrapartida, trocamos os melhores hospitais de São Paulo por um hospital bem ruim do plano de saúde . O jeito aqui é não ficar doente, e se ficar, ir para Campinas. Ainda nesse ponto, quero recomendar a leitura desse artigo da Carta Capital: Como a Vida nos Grandes Centros Urbanos afeta a Saúde. 

Tempo, tempo, tempo, tempo… 

Matheus e Luana na ESALQ – USP após um dia te trabalho.

O nosso tempo também ganhou mais qualidade. Apesar de eu sempre trabalhar de casa, a nossa família pode hoje passar mais tempo junto. Antes o Matheus gastava cerca de uma hora para chegar no trabalho que ficava a 7 km de casa. Hoje, moramos a 9 km e ele gasta apenas 17 minutos. Sem contar o cansaço físico de pegar ônibus, metro e trem em São Paulo. Por outro lado, aqui, a única alternativa para se chegar ao trabalho – e a qualquer lugar – é de carro. 

Morar bem faz bem

Habitação é com certeza o item em que o upgrade foi maior. Saímos de um apartamento antigo de 50mˆ2 (com mofo nas paredes que foram devidamente maquiados no momento do aluguel) de dois quartos e um banheiro para um apartamento novo, muito bem iluminado e ventilado de 116mˆ2 com três quartos e três banheiros. De um condomínio que não tinha elevador para o 14o. andar de um condomínio com segurança, piscina (pequena) e banheira de hidromassagem. Banheira é coisa de Rico, não é não?? Mas não pagamos aqui muito mais que pagávamos no apartamento anterior, não. Aluguel de imóveis aqui ainda é caro, mas a qualidade dos imóveis disponíveis é muito diferente. O que é altíssimo padrão em São Paulo, aqui é o Padrão. E eu e a Luana ficamos muito felizes com todo o espaço, a luz, e a banheira. Morar bem faz bem para a saúde também! 

Família, Amigos e Comunidade

O Piracicabano é muito simpático e acolhedor. Logo nos nossos primeiros dias aqui pudemos sentir isso. As pessoas se visitam, se querem bem. Os encontros de amigos são nas casas e não somente no restaurante bacana que fica num lugar de fácil acesso para todo mundo. Em Piracicaba tem churrasco e piscina todo final de semana. Até o frentista te quer bem! Tem sido fácil fazer novos amigos por aqui. No entanto, apesar de termos mais espaço, a acesso para nossas famílias ficou um pouco mais difícil. Os ônibus intermunicipais que chegam aqui não são bons e param muito. O aeroporto de Campinas é relativamente próximo, mas as passagens por lá estão cada dia mais caras. Outro fator que nos deixou um pouco mais distante da família é que para São Paulo, sempre havia alguma desculpa para ir. Um curso, um show, uma escala na viagem, etc. Em Piracicaba não tem nada disso, infelizmente. 

Serviços bem mais ou menos… infelizmente  

Apesar da simpatia das pessoas, em geral falta qualidade nos serviços – preparo mesmo. A cidade é muito baseada na indústria e no agronegócio, então, o terceiro setor, acaba deixando a desejar. As escolas particulares, por exemplo, não são tão boas quanto poderiam ser. O Transporte Público também é muito ineficiente. A Saúde de qualidade, está restrita àqueles que podem pagar médicos particulares – os bons médicos raramente atendem pelo plano de saúde. O mesmo parece não acontecer nas escolas públicas e  hospitais públicos por aqui. Tenho ouvido muitos elogios a ambos. Talvez a gente tente marcar as nossas próximas consultas pelo SUS e matricular a Luana numa creche da prefeitura.

Crescimento e Oportunidades no Interior

O Matheus brinca que o problema do interior é que não é São Paulo. E eu entendo quando ele fala isso. Na capital a gente tem de tudo! Inclusive mais chance de se especializar e crescer profissionalmente. Os melhores cursos, as empresas mais inovadoras, uma rede de pessoas engajadas dentro da sua área, seja ela qual for, estão lá. No interior, não vemos tanto isso. Mas talvez seja a nossa chance para criar isso por aqui também! E graças ao maravilhoso (às vezes nem tanto) mundo da internet, podemos manter nossas relações em São Paulo, e no mundo inteiro, mesmo estando fisicamente afastados. Cabe a nós correr um pouquinho mais atrás, para não deixar que esse GAP vire um problema.


Se você um dia considerou deixar São Paulo, esse artigo é para você. Não para que venha para cá correndo ou para construirmos juntos uma cultura moderna de interiorização, mas para que pense que existem outras maneiras de viver e se relacionar com o mundo. Maneiras que podem te fazer bem e mudar a sua vida para melhor. E se no meio do caminho, a gente esbarrar em um grande problema sem solução, como casa da mãe, São Paulo estará sempre lá para nos receber. 


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Mira Melke

Gestora Empresarial, MBA em Finanças corporativas e Investimentos pela FIA Business School - SP. Empresária, Fundadora do Foco na Produtividade, Criadora da Comunidade FOCADAS e Mãe da Luana.

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